Diabetes Gestacional

12/07/2011 00:46

Mulheres que não têm histórico de diabetes na família podem vir a desenvolver a doença, temporariamente, durante a gravidez. Segundo a Dra. Wilma, esse risco é maior quando a mulher ganha muito peso durante o período de gestação, mais ainda se for uma mulher de idade acima dos 35 anos.
A médica relata que a mulher, na gravidez, pode desenvolver novos hábitos de alimentação, ingerindo muita massa e doces, não fazendo nenhum tipo de ginástica ou exercício físico. É um tipo de diabetes que tende a regredir espontaneamente, mas mesmo assim requer cuidados porque pode afetar o bebê.

Um Caso de Diabetes na Gravidez

A Dra. Wilma conta que acompanhou alguns casos, entre eles o de uma mulher que havia tido seu primeiro filho, uma criança com mais de 4 kg de peso, que morreu dois dias depois do parto. Na ocasião, o diabetes não foi identificado ou tratado, o que levou ao óbito do bebê. Quando essa mulher engravidou novamente, esteve aos cuidados da Dra. Wilma que, com base na história da primeira gestação, fez os exames e aplicou os tratamentos necessários, modificando inclusive a alimentação. Por volta do oitavo mês, no entanto, a criança teve que ser retirada (quando já estava apta para a vida, embora prematura) e, desta vez, sobreviveu. A mulher teve outros dois filhos, que também sobreviveram.

Conforme o relato da médica, a criança vive, enquanto ainda no útero materno, em regime de alta glicemia. O excesso do açúcar no sangue da mãe faz com que tanto a mãe quanto a criança fiquem acima do peso ideal. O choque acontece quando, após o parto, o bebê entra em hipoglicemia, pois o ambiente uterino não está mais fornecendo glicose. Então ela vem a falecer, se não for retirada a tempo.

Causas, Sintomas e Efeitos

São várias as causas do diabetes gestacional, sem descartar o stress, que provoca alterações no sistema de defesas do organismo materno. Essas causas são o excessivo ganho de peso, alimentos doces em demasia, a falta de atividade, o fumo. No diabetes gestacional, alguns alimentos são proibidos e, se ingeridos, agravam ainda mais o quadro.

Os sintomas da mulher grávida variam muito de pessoa para pessoa, embora alguns possam ser comuns e mais visíveis, como o excessivo ganho de peso, inchaço, bulimia (comer demais). Ela também pode se queixar de vômitos incontroláveis, sua urina se modifica ou é abundante, visão turva (às vezes, necessitando de óculos temporariamente) e, em alguns casos, a mulher deve ser internada a intervalos regulares e monitorada em ambiente hospitalar.

A grávida deve prestar bastante atenção, pois seu estado de humor pode oscilar demasiadamente e com freqüência maior que a habitual. Isto acontece devido à estreita relação que existe entre os hormônios secretados e as emoções, segundo especialistas da Fundação Milton Erickson.

Vários fatores em conjunto, durante a gravidez, podem então fazer com que a glicose não seja utilizada adequadamente e, neste caso, ela se acumula no sangue, sendo o excesso eliminado através da urina. A falta ou a não-ação da insulina impede o organismo de aproveitar as proteínas, as gorduras e os hidratos de carbono, fontes de energia do organismo.

Exames e Tratamento

- Controle da urina e do sangue através de testes específicos (por exemplo, o teste de glicemia, que é a quantidade de açúcar no sangue), controle sistemático de peso, acompanhamento pré-natal intensificado, relata a Dra. Wilma. Todo e qualquer medicamento que a grávida necessita tomar deve ser indicado e acompanhado pelo médico.

- No diabetes gestacional, como nos outros tipos de diabetes, é importante saber que a maior parte do tratamento deve ser feita pelo paciente, e não pelo médico. Este apenas tem o papel de educar a grávida para que ela se auto-regule, além de oferecer todas as informações para garantir que ela saiba como conduzir a gravidez.

- Se a mulher não tem histórico de diabetes na família, a melhor forma de evitar a doença durante a gravidez é através da alimentação. Uma vez constatado o diabetes, convém, além dos cuidados médicos, seguir orientação de um nutricionista.

Dicas

· A mulher que tem propensão maior ao diabetes deve confiar seu pré-natal a um médico que esteja disponível e acessível para dar orientação, inclusive por telefone, pois ela pode precisar dele a qualquer momento.

· Exercícios de relaxamento contribuem muito para prevenir e controlar a atuação do sistema imunológico. Em circunstâncias ideais, o sistema imunológico confere ao organismo todas as defesas contra as doenças, fortalecendo a mãe e o bebê.

· O diabetes gestacional é bem conhecido e tem tratamento definido, podendo dar à mãe e aos bebês maior qualidade de vida atualmente. Por isso mesmo, a grávida deve freqüentar grupos de diabetes, ler e acompanhar artigos sobre a doença e procurar, ela mesma, estabelecer um controle adequado, não esperando que seu instrutor (o médico) dirija o carro para ela.

· Evitar filmes pesados e tristes, evitar ouvir histórias de outras mulheres com final trágico, pesar todos os conselhos caseiros que recebe vão trazer um enorme ganho emocional para a grávida, que pode ajudar no controle do diabetes.

· Ao fim da gestação, fazer exames e controles, pois o diabetes tende a desaparecer, neste caso, assim como veio. A expectativa positiva de cura é fundamental e a futura mãe precisa saber que ela tem direito - e obrigação - de ser saudável e feliz, para conduzir bem a própria vida e mais a do pequeno ser que está vindo ao mundo.

Fontes: Dra. Helena P.S.Leite, médica, "Fatores de Risco Durante a Gravidez".
Dra. Wilma Lúcia Moraes, médica clínica e anestesista, Centro de Perícias do INSS - SP.

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